Várzea Grande
Presidente da Câmara de Várzea Grande nega sessão extraordinária pedida por maioria dos vereadores
Wanderley Cerqueira ignora regimento que obriga convocação em 24 horas quando há requerimento de maioria absoluta; decisão retém mais de R$ 77 milhões em recursos para saúde, previdência e mobilidade urbana
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✍️ Da Redação
O presidente da Câmara Municipal de Várzea Grande, Wanderley Cerqueira (MDB), negou na segunda-feira (14) o pedido de realização de sessão extraordinária durante o recesso parlamentar — mesmo diante de requerimento assinado por 14 dos 23 vereadores, configurando maioria absoluta da Casa.
O pedido, protocolado pela manhã na presidência da Câmara, previa a votação em regime de urgência do projeto de lei que altera de 5% para 20% o limite para remanejamento orçamentário e abertura de créditos adicionais no orçamento municipal de 2026 — medida considerada essencial pela Prefeitura para liberar recursos já depositados em conta, mas sem autorização legal para execução.
Art. 138 – Regimento Interno da Câmara Municipal de Várzea Grande
“A casa de leis pode ser convocada extraordinariamente, durante o recesso pelo prefeito, ou por maioria absoluta dos vereadores, ou pela comissão de representação legislativa, sempre que necessário, mediante ofício ao seu presidente, para se reunir no mínimo dentro de 24 horas. E o presidente da Câmara dará conhecimento aos vereadores, em sessão ou fora dela.”
Apesar do texto regimental, Cerqueira justificou a negativa alegando que os projetos relacionados ao remanejamento ainda estariam “em análise pelas comissões permanentes da Casa” — condição que, segundo ele, impediria a inclusão direta na pauta do plenário. A mesma justificativa já havia sido usada pelo presidente ao negar pedido semelhante feito pelo vereador Bruno Rios (PL), líder do governo, na última sessão do semestre, em junho.
Recursos retidos pela falta de votação
R$ 56.696.464,23
R$ 32.000.000,00
R$ 23.000.000,00
R$ 11.156.547,00
R$ 5.000.000,00
R$ 77.517.451,00
O impasse tem raízes na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, que originalmente previa autorização para suplementação de até 30% do orçamento municipal — equivalente a cerca de R$ 700 milhões de um total de R$ 2,039 bilhões. Uma emenda aprovada pelos próprios vereadores reduziu esse percentual para apenas 5%, retirando da prefeita a prerrogativa de remanejar valores por decreto e obrigando que qualquer ajuste acima desse limite passe pelo plenário da Câmara.
“Eu só preciso da autorização para remanejamento do orçamento. Se eu não compro remédio, sendo que o dinheiro está na conta, é porque falta essa autorização.”
— Flávia Moretti (PL), prefeita de Várzea Grande
A prefeita Flávia Moretti (PL) já havia acusado publicamente Cerqueira de dificultar deliberadamente sua gestão por motivações políticas. O Legislativo entra em recesso de 1º a 30 de julho, o que significa que, sem a sessão extraordinária, os projetos só poderão ser votados em agosto — aprofundando o impasse orçamentário no município.
“Infelizmente, a prefeita teve uma margem de remanejamento muito pequena aprovada pela Câmara. Sem essa aprovação, ficam prejudicadas ações governamentais, o recebimento de emendas parlamentares e a adequada prestação de serviços públicos.”
— Bruno Rios (PL), líder da prefeita na Câmara
🎥 Vídeo
Sessão em que Wanderley Cerqueira nega o pedido de inclusão dos projetos
📹 Fonte: VG Agora





























